Centenas de modelos viajam para as semanas de moda de Milão, Paris, Nova York e Londres, com o intuito de conseguirem trabalho durante a temporada. Mas esse percurso acaba custando caro e muitos contraem dívidas para entrar e continuar na carreira.
Isso se deve ao hábito que as agências têm em pagar antecipadamente tudo o que a modelo precisa para ingressar no mercado, como ensaios fotográficos, viagens, hospedagem, alimentação, desfiles e entre outros. Depois, ficam na espera da quitação dessas despesas.
Um exemplo, é se uma modelo for viajar para a Semana de Moda de Paris com o fim de conseguir trabalhar em um desfile. O seu transporte é custeado por sua agência, e caso a modelo não consiga trabalho por lá terá que reembolsar o capital à empresa.

Despesas ocultas na carreira de modelos
Uma modelo, não identificada em entrevista ao site da BBC News, relatou sua experiência e dívida de 10 mil libras (cerca de R$ 70 mil) às agências em que trabalhou, desde o início de sua carreira.
Ela comentou que as agências ofereciam serviços considerados caros, como motorista particular, sem ao menos dizer o quanto aquele serviço ia custar para ela. Além de adiantar dinheiro para determinado ensaio, que se tornam as chamadas despesas ocultas.
O diretor da British Fashion Models Association, John Hornerque, representa as agências britânicas de modelos e disse que a agência londrina Models 1, gerenciada por ele, tem 60 mil libras em dívidas de modelos “pendurada”, e que podem nunca ser pagas se a carreira destes modelos não progredir.
Proteção dos direitos da profissão e o novo tabu da moda
A modelo russa Ekaterina Ozhiganova, consultada também pelo portal de notícias, fundou a Model Law, primeira associação francesa que trabalha para proteger os direitos dos modelos, além de instruí-las sobre o funcionamento do mercado da moda.
Ozhiganova acredita que o acumulo de dívidas é tratado como tabu na moda, e que por meio de sua associação irá conseguir informar mais mulheres quando forem iniciar suas carreiras, porque afirma que a falta de informação sobre esse setor é o principal problema.
“Agora todo mundo está gritando aos quatro cantos sobre a exploração sexual, mas ninguém quer falar sobre dinheiro. Todo mundo se cala sobre isso”, destaca a modelo.
Além disso, Ozhiganova aponta as dificuldades que muitos modelos passam quando vão trabalhar em outros países, os quais não sabem a língua. Os iniciantes não conseguem ler todo o contrato e acabam se prejudicando ao concordar imediante com o trabalho.